se Deus existe
[independente de seu nome]
criou os seres para criarem a si mesmos
desde a expansão do cosmos
criou assim porque
tem mais o que fazer
quando as formas criadas juntaram-se em planetas
estrelas explodiram
supernovas nasceram
e o multiverso se formou
e as vidas explodiram nos planetas
e as eras se sucederam
e num pequeno lugar no todo
a primeira célula criou muitas
era tudo a parte criativa divinal
que em tudo há
porque se Deus existe
tem mais o que fazer
no pequeno lugar no todo
a vida que saiu do mar
evoluiu
foi destruída
tornou a evoluir
até que alguns seres falaram e imaginaram
e não entenderam
por se sentirem fora
criaram um deus a que deram nomes e formas
ritos e cânticos
e oferendas
primeiro a natureza
depois animal selvagem
depois meio-animal-meio-humano
depois animal doméstico
depois pedra
pão
abstração
e ódio
longe daquele que
se existe
tem mais o que fazer
há um deus dos seres de linguagem
[dentre tantos por eles criados
nessa pequena parte no todo]
que é como um ser de linguagem
sente rancor
provoca medo
exige amor em mandamento
e perdoa
[em condições muito específicas]
não é a barata
a aranha
a pulga
o rato
não é serpente e bode
[seus inimigos]
e controla tudo
é particular
pessoal
e intransferível
como o nome próprio
e tem dono:
meu
mas se Deus existe
não é meu
tem mais o que fazer
sexta-feira, 20 de março de 2020
domingo, 12 de janeiro de 2020
quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
Algumas coisas que eu diria a um (a) (e) (x) filho (a) (e) (x), caso tivesse:
. Você é o limite de si mesmo. Tenha consciência de si e de seus
limites.
. Trabalhe o suficiente para ter uma vida digna. O dinheiro em excesso
escraviza e cobrará um preço alto no futuro. O dinheiro escasso
escraviza e cobrará um preço alto no futuro.
. Você morrerá. Como todo mundo.
. Tudo o que você tem ficará aqui depois que você morrer. Use as
coisas pensando que o outro também poderá usar um dia.
. Aprenda quantos idiomas quiser, não porque será bom para o mercado
de trabalho, mas porque é importante conhecer outras culturas e,
principalmente, o outro.
. Lute por justiça e por igualdade social sempre. Entenda que a
caridade é necessária, mas que precisa ser transitória. A
manutenção da caridade infinita implica na manutenção da
desigualdade.
. Viaje. Sempre. Muito. Para e nos lugares, nos vinhos, nas poesias,
nas palavras das pessoas.
. Viajar é estar-com. Esteja-com de forma a ter memórias, não
fotografias.
. Aprenda com os animais o que é amar gratuitamente.
. Dance, sempre que puder.
. Seja sempre antifascista, antirracista, antimachista, anti-homofóbico.
. Saber cozinhar, cuidar de uma casa e de si sem precisar de ninguém é
o maior gesto de liberdade.
. Dê presentes, em especial poemas escritos à mão, flores colhidas
na rua, dobraduras de papel, abraços. Dê presentes que não
precisem de dinheiro, mas que presentifiquem seu sentimento pela
pessoa.
. Estude sempre com humildade. Você não sabe tudo e nunca saberá.
. Todos os saberes são importantes. Quando ouvir alguém dizer que um
saber é inferior, desconfie das intenções dessa pessoa.
. Todas as perguntas são importantes.
. Respeite a dúvida, preste atenção ao óbvio, pense o clichê além
do clichê.
. Entenda que em muitos casos a ignorância é um projeto. Pessoas são, muitas vezes ignorantizadas. Tente, com cuidado, sempre que possível, tirá-las de lá.
. Ser alfabetizado é importante, mas não faz de você melhor que o analfabeto.
. Ser alfabetizado é importante, mas não faz de você melhor que o analfabeto.
. Leia: livros, pessoas, situações, contextos, conjunturas, maneiras
de vestir e de portar-se. Leia.
. Seja elegante. A elegância maior é a simplicidade.
. Simples não é o mesmo que fácil.
. O fácil nem sempre é ruim. É preciso sempre julgar o fácil de
forma ética.
. Seja ético.
. Tenha prudência, paciência e tolerância, mas não seja resiliente.
Lute para transformar as coisas que estão erradas no mundo. O que
não falta é luta.
. Diga sempre eu te amo sempre que sentir vontade. As pessoas esquecem.
. Sempre que puder ser coletivo, seja. A coletividade é um direito
humano. Lute pela coletividade.
. Diga sempre ao outro o quanto ele é importante para você.
. Lembre-se: você é o outro do outro.
. Olhe pro céu, sempre. A qualquer momento. O céu é o absoluto, o
tempo, o espaço, a cor e o cosmos. O céu ensina o tempo.
. Viva ao máximo o hoje, sem antecipar o amanhã.
. Ande de moto, mesmo que seja perigoso. É preciso correr riscos na
vida.
. A vida não é uma aposta. A vida não é um jogo. A vida não é um
negócio.
. Curta sempre cada etapa de tudo o que fizer. Aí está o segredo do
seguir.
. Para todas as dores da alma, leia Fernando Pessoa. Três vezes ao
dia, se preciso.
. Medique-se também com arte e literatura.
. Aprenda música.
. Cuide de saber odores, experimente ao máximo o tato e o paladar.
Ouça sempre muito. Preste atenção em tudo. Cinco sentidos é coisa
para caramba para apreender e usar.
. Não há inferno. Não seja bom com medo de ir para lá. Seja bom
porque isso é o certo a fazer.
. Durma, cuide do sono e tente lembrar dos sonhos. Preste atenção
neles.
. Ame-se e ame. Sempre. Muito. De todas as formas que você desejar.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
elegia
das marcas do hoje
esse sal
o chão onde colhi margaridas
um dia
é seco chão de piso duro
e venta por sobre o passado
o passado
- seu sal -
tempero antigo com que salgo porcos
tempero antigo com que faço unguentos
no meio do dia partido em quatro
no quarto partido em dois
no teto que abrigou o fim
das marcas do hoje
esse velório inacabável
esse réquiem infinito sem abraço
a noite profunda em que me banho no escuro
do passado
alguma lembrança do sol
o adiar perpétuo
do completo sem que define o dia
como se à aurora
nada fosse possível
com o mar multicor à praia
o hoje de chão e sal
como saber
se no fim está densa fumaça que a tudo opaca
e o sorriso que boia na noite
e a valsa vazia dos dias
e o samba a sós no canto do quarto
é o que tem no dia
seu almoço complacente de nãos e depois
nãos e depois
- uma vida -
a idade madura e seus ossos que rangem
a idade madura de um poema antigo
o amor que se desacredita
e que escapa
opaco
no fundo de um som possível de nós
os nós de depois
seus ossos em chamas aos deuses
amanhã – esse inexistente mistério que me carrega de fins
amanhã – essa aurora e a promessa
aqui os cacos do que ainda brilha
os cacos dos copos que joguei ao chão de raiva
os cacos de mim nos copos
os dedos partidos de agonia
fonte de eterno frio
naquele poema antigo
uma elegia
a longa elegia do fim que não inaugura nada
nada cria
nada cuida
sexta-feira, 1 de novembro de 2019
O tempo mão
De repente a mão se abre e solta. É simples como dar um passo. Abre
a mão e solta. Quando solta, um mundo de possibilidades se abre. A
mão, que carregou inútil peso por longo tempo, está livre para
novos tatos e novos contatos. Não aguenta mais as bolhas que as
coisas lhe causaram, as dores da importância ao inútil, as dores
suportáveis e diárias das pequenas ofensas e dos pequenos
deixares-de-lado. A mão que sustentou o mundo, equilibrou pratos,
fez afagos e vibrou fechada de ódio, sem revidar. A mão que
concentrou o medo e quis esconder o rosto, que mostrou-se torta e,
por ser torta, foi chamada de louca. De repente, a mão solta tudo
isso e livre, alisa outra face.
A nova face que a mão alisa, livre da carga carregada, é o hoje.
Está a face leve sem marcas do passado. Na nova face, todas as
possibilidades, outras, sem caminhos, espinhos e dores velhas e
gastas, já exaustas antes de saírem da cama. A nova face, calma,
é um sorriso de companhia. Um sorriso de café com torradas à
tarde, de range-rede abraçado de sábado. É a possibilidade de
passeio no parque da cidade, de pedras lançadas ao lago,
de lenços de partidas e abraços de chegada cada vez mais raros
porque não há distância, de horas de silêncio compartilhado
mirando o céu pela janela.
A mão, de repente, solta. E vê a tranquilidade da meia idade num
embrulho de um livro ao pé da porta. O hoje é um livro embrulhado
ao pé da porta. Uma carta que chega, a resposta das milhares de
cartas enviadas sem resposta. Uma carta-bilhete, com perfume e letras
corridas, mas real e de papel. Comum para além dos boletos. O
embrulho na porta, o livro, e tudo o que ele contém de fúria e de
sorriso, de improviso no hoje. Um livro que não precisa de estrada,
que não é viciado de riscos, que não corta os dedos nas pontas. Um
livro, um simples livro para se ler, no hoje, o afago da tarde.
domingo, 13 de outubro de 2019
A consciência do fim
À medida que a vida passa, eu fico cada vez mais lento. É uma força
bruta em mim. E os dias cada vez mais rápidos. Eu demoro duas vezes
mais do que demorava para me arrumar para ir ao trabalho. Demoro duas
vezes mais para comer ou para tomar banho. Mesmo que eu acorde nos
mesmos horários e repita meticulosamente os rituais diários que
repito. Como me mudei muitas vezes de casa, tinha em mente uma
velocidade prática de mudança que hoje é só uma teoria. A última
vez que me mudei demorou mais do que qualquer outra, tomou-me três
longos meses de preparação, o que antes se resolveria em vinte
dias.
Estou mais lento para pensar. Demoro mais a chegar a conclusões. Não
porque o raciocínio está mais lento. Mas porque há mais elementos
a se considerar. Elementos que não considerava antes, que não dava
importância, que não sabia ou não conhecia. E todas as vezes que o
cérebro dá sinais de lentidão, troco algo na alimentação, mudo
uma rotina – aumento um pouco as horas de sono, evito as redes
sociais (esses lugares de dispersão), concentro-me mais nos livros,
mudo rotinas. Porque o cérebro é o que eu tenho de mais precioso e
do qual mais dependo. E ele fica, como todo o corpo, mais lento.
Quanto mais lento eu fico, mais rápido o tempo passa. Ontem era maio
e eu estava me preparando para um concurso, dias depois meu pai
faleceu. Ontem era 2015 e eu defendia o meu doutorado. Foi ontem que
entrei na Universidade, e esse ontem já bate a casa dos vinte anos
no ano que vem. Tudo ontem. Para mim, 1970 ainda dista de mim vinte
anos, e não o ano 2000. E eu tenho ficado lento para acompanhar o
crescimento dos filhos dos meus amigos, as idades dos meus amigos,
seus movimentos de vida. Lento para ler editais e textos, lento num
tempo cada vez mais rápido, em que tudo ao meu redor apita – a
geladeira se fica muito tempo aberta; os carros em que ando se não
fecho bem a porta e se não coloco o cinto de segurança; os
caminhões que dão ré na rua, o telefone, esse aparelho maldito que
precisa me avisar que há uma nova foto, uma nova mensagem que nunca
é urgente de fato, mas que todos consideram assim.
O mundo tem pressa, e eu não tenho. Agora, querem que eu me acelere
para acompanhá-los e eu penso: como me acelerar se ainda tenho
tantos livros a ler e sei que não dará mais tempo de ler todos?
Como me acelerar se ainda não li A montanha mágica
nem Proust, e preciso deles com urgência, mas há um relatório, uma
minuta, um edital, um post
no Facebook,
o último e novíssimo livro de Richard Sennett, o último disco do
Gil, o último show de Elza Soares, os movimentos na prisão do Lula
e as sandices do Presidente que Governa a Prefeitura
Brasil? E eu, lento para isso tudo, que ainda preciso de horas para
fumar meu cachimbo na poltrona enquanto leio revistas impressas, que
sei que meu cachimbo novo vai demorar vinte anos para chegar no ponto
ideal, amaciado lentamente
dia a dia. Como acompanhar a tudo isso sem entrar em pânico ou sem
me sentir deixado para trás?
Dentro disso chega a noção de fim.
Acabará, tudo. Porque a morte é um fato e é de repente. Não se
sabe quando vem e se me levará a razão antes de chegar. Se eu ainda
estarei vivo quando outro sistema econômico posterior ao capitalismo
vier, um sistema mais cruel e violento que poderá acabar com toda e
qualquer forma de emprego e deixar milhões na miséria (porque eu
não sou otimista de que o capitalismo vai morrer no florescer da
economia colaborativa), nesse mundo cada vez mais imbecilizado pelas
mídias digitais que desprezam livros e impressos com a desculpa que
se deve poupar o mundo dos papéis (mas não dos panfletos de loja e
dos santinhos de políticos que inundam e imundam as ruas das
cidades).
Tudo acabará e é um exercício
lento de aceitação de que é preciso priorizar. O tempo não pode
ser desperdiçado com coisas ruins. Não a maior parte do nosso
tempo. É preciso priorizar o afeto, o estar-com. Como diria
Heidegger, ocupar-se do tempo de forma própria, sem se preocupar com
as atualizações, com o que vem depois. Ocupar-se do agora e
vivê-lo, porque só ele restará, por fim. Essa dinâmica importante
que me traz a idade. Eu, lento, tento depurá-la. Ainda não a
alcancei. Mas é um exercício diário até o porvir.
Por isso, ficarei nos livros. Neles,
entendendo que todos, Adorno, Heidegger, Kant, Schiller, Homero,
Drummond, Pessoa, Shakespeare, todos morreram sem ler tudo o que
queriam ler. Os livros carregam os mortos e alguns que estarão
mortos um dia. Mas neles sei que é preciso ficar. Porque eles me
ensinam que para escrever, para pensar, é preciso tempo. Tempo que
não nos dão mais, com o trabalho nos acordando na madrugada em
apitos de telefones, urgências nas horas em que tudo está fechado,
menos os bares. A Universidade ainda não é uma drogaria vinte e
quatro horas, e eu não preciso estar a postos como um balconista de
plantão. Vou me dar o tempo, o silêncio e a ausência das redes no
priorizar os livros. Porque eu vou morrer um dia, e não quero passar
a vida entre documentos formais e relatórios. Sinto muito por
quem quer viver assim.
sábado, 28 de setembro de 2019
Amor listrado em preto e branco
Atlético: eu, você e esse sofrimento intermitente. Não é amor
cheio de paz e tranquilidade. É amor cheio de dor e lágrima, cheio
de sofrimento doentio e de alegria arrebatadora. Perversidade que me
prende a você. Intenso amor, cheio de grito.
Amor listrado em preto: essa face obscura de todos nós. Na listra
preta, nossas profundezas e recolhimentos. Você nos põe em contato
com o que há de verdade em nós. Os lugares da alma em que você nos
lança há mais de um século, nesse movimento estranho de existir
para nos mostrar a razão limite, até onde podemos levar a dor e o
viver, o pensar e o resistir. Até onde suportar? Como sobreviver a
isso?
Amor listrado em branco: a noção de claridade ilusória a que essa
dor obscura nos leva. A claridade de entender a luz, de ser
arrebatado da dor. Porque você nos arrebata da dor de todo dia: do
ônibus lotado, do salário atrasado, do aumento do aluguel, do preço
do feijão. Você nos tira dessa dor diária de viver ao surgir nos
noventa minutos em que existe em ação, ali, no centro do espetáculo
mundo, o futebol. E não há atleticano que suporte viver sem esses
noventa minutos em que você nos traz de volta uma esperança branca e
preta, algo difícil de perceber.
Amor listrado em ambivalências: as duas cores do luto. As duas cores
do noivado. As duas cores da festa. Há culturas que o branco é o
símbolo do morrer, como o preto na nossa. Há culturas em que as
noivas vestem preto, como na nossa vestem branco. Nas duas bodas que
nos cercam, os elementos vitais do festejo e do desenlace, suas
cores. As cores dos antigos pretos velhos, das antigas pretas velhas.
As guias preto e brancas da ancestralidade negra de seus torcedores
na cura e na doença de amar você, Atlético. Nas cores de Obaluaê,
o Orixá da terra, da cura e da doença. O peso de carregar as cores
de um deus.
Amor listrado e seus limites: um preto e um branco. Cada listra, um
limite. Como transpor os limites do existir? Como viver os limites do
amar? Como absorver os limites do pertencer a você, nossa pátria e
nação, nosso lar e templo, nosso lugar de aceitação dos erros e
dos acertos? Você nos prova sempre que perdoar é um ato de amor,
porque sempre o perdoamos, mesmo depois da maior agonia. Você nos
mostra que é preciso transpor o limite para o perdoar e o amar.
Porque você carrega em si a ambivalência do existir.
Amor sem consenso: não há meio termo. Ou se sofre ou se é feliz. É
quente, nada de morno. Talvez a única relação imutável, vermelha
como a histórica camisa dos goleiros, como as cores dos números. Um
galo de briga de olhos vermelhos. Um galo do povo que briga contra
tudo e todos na esperança de vencer. E como o povo, perde mais do
que ganha e suporta, e almeja a vitória, tem fé no futuro. E então
o povo o ama, porque amanhã é outro dia e você existirá nele, no
outro dia, lutando até o último suor do seu rosto que sobra na gola
da camisa.
Amor sem vaidade: de todos, com todos. Amor sem veleidades: popular e
honesto. Do povo. Sempre do povo. A alegria maior do povo porque
repete a dor do povo, seu sofrer. Você lembra a quem não sabe o que
é sofrer o sofrimento do povo: nas fábricas, nas lotações, no
trabalho diário, no peso das sacarias nas costas. O povo entende de
sofrimento, por isso o povo o entende, Atlético. Porque o povo sabe
a dificuldade do pão e do cigarro, do feijão e da cachaça. E por
isso, sabe o sabor da festa que você provoca na semana. O povo, só
o povo o entende e o abraça, Atlético. Porque você não é só
querido pelos seus. É amado. E os seus não têm por você essa
vaidade barata. Têm orgulho de você. Como de um filho ou de uma
filha que consegue vencer a dor diária, como a vitória da família
vizinha que enfim saiu do aluguel, como o conseguir realizar um
difícil sonho nessa selva que é o viver.
Um galo de briga de olhos vermelhos. Com sede de vitória que se
levanta todos os dias às cinco da manhã para auxiliar no acordar
das cidades. Como o povo que desperta antes de todos para pôr a
cidade em movimento: dirigindo ônibus, fazendo pão, vendendo
hortaliça, carregando caminhão, limpando rua, indo para o trabalho
nas fábricas. Você é o partido do povo: seu representante e seu
delírio.
Amor listrado em preto e branco. Amor limite do dia. Esse lembrar o
sofre que você não se furta. A você, Atlético, meu delírio e
alegria, minha dor e desamparo. Sempre.
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