quarta-feira, 4 de abril de 2012



ganhei o nome de partida quando não mais sabia das raízes. prestei-me ao vento sempre que o vento era forte para carregar a casa, as roupas, os livros. ganhei estradas estranhas e poeira quando não sabia direito o que cada uma delas era, mas sabia que eram – de alguma forma – uma linha em uma das oito mãos da Terra. ganhei o som quando me foi preciso gritar mais alto (porque é sempre preciso gritar mais alto) e outros nomes colados ao meu na jornada, sem saber que os nomes que colavam traziam as armadilhas do disfarce, aquilo que só é dados às figuras teatrais. sabia que um dia o mar estaria presente, de alguma forma, dissolvendo os espaços que haviam entre as minhas mãos quando olhava bem de perto através janelas. tudo estaria, sempre, no vento além das janelas por onde olhava, cheio de nomes, mas ainda partida. por isso parti tantas coisas, parti letras, silêncios, o que era preciso, como se parte a saudade com lágrimas. mas ainda há pés e rotas, e o mar me ensina que é preciso, mais do que atravessá-lo, vivê-lo.