quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O mar, o grande coração do mundo,
bate em meu peito.

aqui, perto
do que eu creio

(se é
que
creio)

os braços do mar
seu sal
sua sombra
o que lava
e
leva
dos rochedos

limpam a noção de visão
coordenada do que
intimida

o grande coração do mundo
água e sal de mim
pulsa nas retinas
de papel
das minhas vistas.

Vitória, agosto, 14.

domingo, 24 de agosto de 2014

O jeitinho brasileiro do liberalismo


O liberalismo no Brasil é engraçado. Quer o mínimo de intervenção do Estado, mas quer formar-se, ou formar seus filhos, gratuitamente, na USP ou em uma Universidade Federal. Não admite cotas, mas se o tatatatatataravô é negro, ou índio, ou pobre, e ele vê nisso uma chance, declara-se parte de qualquer grupo. 

Não gosta das políticas do Governo de distribuição de renda e de acesso à educação, mas se se forma pelo Prouni, pelo Fies, pelo Pronatec, é incapaz de devolver o financiamento e arcar com o próprio estudo.

Estranho é o liberalismo no Brasil. Quer o brasileiro desta estirpe o liberalismo desde que não tenha que pagar por ele. Que paguem os pobres. Os pobres podem pagar por segurança, por saúde, por educação. O liberal brasileiro cobra do Governo saúde, educação, segurança, tudo público, para dizer: “Tá vendo? Os impostos não servem para nada. Só para a corrupção”. E, no fundo, querem isso para que os pobres paguem. Os liberais estão tranquilos, porque pagam seus serviços particulares visto que não acreditam nos serviços públicos.

É assim que pensa a direita brasileira: ela paga o que quer, desde que não seja caro. O que é caro, que pague o Estado e que dê a ela, não aos pobres. Os pobres são quem tem que pagar a conta mesmo.

E o mais triste é ver pobre defendendo esse jeitinho de fazer liberalismo.