sexta-feira, 16 de setembro de 2011

os cacos




surgem novas palavras e eu esqueço antigos nomes. busco os nomes e os antigos que esqueci formam os buracos de traças e o tempo imprime a antiga palavra, alimento de um verme que há muito não encontro. nos escombros dos festejos, entre cacos e cigarros, ela ainda faz brotar grossas lágrimas em outros olhos. comove, porque talvez ainda me comova no silêncio que a custo se dilui. amarradas nas espumas das ondas, nossas sílabas se misturam no infinito das águas do mundo desfeitas como sempre, neste mar que não pode mais buscar outros caminhos. líquido o nome que a língua lambeu, na madrugada de mim feito infortúnio, quis sumir aos poucos na neblina e se perdeu, enfim, por completo, das palavras. desgarrada de todos os nãos, ela não mais contempla a cor dos meus dias na alvorada e se perdeu por completo na surdina. nem nos livros, nas páginas que marquei com dedos da saudade, não há mais os misturados nós nas cores comovidas. ela segue em algum lugar despertencido dos sentidos dos meus tatos, pontos que não causam em mim velhas memórias. no fim da longa estrada, quando meus dedos tortos já não mais terão ao alcance as cores da sua íris, ela surgirá compacta, de outro nome e forma, e brilhará na noite, na ante-sala madrugada que não consigo deixar.

Um comentário:

  1. "O manto, tão vermelho, amarelou, como Alvorada.
    E eu continuo contando, cantando, sem bloco na rua. Olhando, de novo, a Penha."

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