quinta-feira, 16 de junho de 2011

Da importância dos movimentos populares

Os movimentos populares retornam às ruas do Brasil e pedem justiça social, melhores condições de trabalho e de emprego, direitos iguais, mostrando que a democracia se efetiva. Além disso, os movimentos trazem consigo a função de conscientizar a população de que o governo brasileiro ainda não sabe lidar com seu povo.

Seja na marcha pela liberação da maconha, nas lutas dos direitos dos homossexuais, nas reivindicações trabalhistas – sejam as dos metalúrgicos, as dos médicos, as dos bombeiros, dos professores – nas manifestações estudantis por melhores condições de educação e transporte, o direito máximo de reivindicação e de liberdade de expressão não foi respeitado. Mais do que isso, o Estado mostrou-se despreparado para o diálogo e preferiu, sempre, a violência, acreditando ser ela a melhor maneira de calar o povo brasileiro que volta às ruas.

Para aumentar ainda a problemática, costumes retrógrados de setores sociais vêm sendo incomodados pelas manifestações populares. Conquistando direitos, apontando problemas, questionando condutas, as manifestações sociais brasileiras deflagram uma casta da sociedade favorável à extrema direita, rançosa, fascista, que vem a público, lançando mão de velhos discursos, querendo convencer que calar o povo é proteger a moral e os bons costumes.

Esses setores, na figura de seus representantes públicos, acreditam que é uma conduta moral a de manter uma sociedade sectária, feita para castas e voltada para o interesse de poucos. Acham que os bons costumes são o povo apanhar e os eleitos se safarem de seus peculatos, de suas homofobias, de seus preconceitos de vária ordem e acreditam numa sociedade pouco democrática, interpretando “ordem” como a nulidade de reclamação e “democracia” como um governo feito por elites para mandar desmedidamente nas massas, seja pelo meio que for. Acreditam esses governantes que cercear a liberdade de escolha – seja ela sexual, política, religiosa e de comportamento – é a melhor maneira de governar. Para esta casta fascista, tudo o que não se enquadra, que não é possível de ser mantido por um poder vertical e dogmático, deve ser excluído do meio social.

As manifestações populares têm função importante neste processo: denunciar estes fascistas e fazer valer a lei que tanto precisa ser lembrada a todo custo: a de que o Brasil é um país livre, e a liberdade é o elemento primeiro em um estado democrático de direito e deve ser mantida a todo custo, nem que para isso seja preciso enfrentar o poder instituído.

Só com a volta dos movimentos populares, com o povo novamente nas ruas, poderemos garantir o estado democrático de direito e acabar de vez com esta casta que quer voltar aos tempos dos desmandes desmedidos, em nome de um discurso velho e ultrapassado.

Por mais que a mídia queira a todo custo convencer a sociedade brasileira que as manifestações populares são uma mostra de desestabilidade governamental, tais protestos dão ao Brasil aquilo que há muito o governo recusa: o direito popular de reivindicação, o poder democrático de cobrar das autoridades eleitas pelo voto popular que cumpram suas obrigações, governando pelo e para o povo de forma igualitária e justa, respeitando as leis deste país.

Por isso, a vitória hoje no Supremo Tribunal Federal foi a da liberdade. Por isso também o cancelamento por causa das manifestações estudantis do Fórum sobre a reforma eleitoral, que seria feito em Vitória nesta quarta-feira, com a presença do vice-presidente da República, foi uma mostra de que o Estado não sabe lidar com a democracia.

Cabe ao povo defender a liberdade. Então, é importante que fiquemos nas ruas e lutemos por nosso direito. Essa é, creio, a maior importância dos movimentos populares que aumentam em todo o Brasil e que se concentrarão na Marcha da Liberdade, dia 18. Todos representam um passo importante da democracia brasileira contra os velhos métodos de governar o país.

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