domingo, 19 de dezembro de 2010

Canto branco

No quente abril de outrora, carregado, volta o nome dela, que dizia, no longe do tempo a alvorada que perdia em mim que dela desprendia.

Não sabia da perda processada, mas de mão recolhida me servia com vontades loucas repassadas nas palavras que sosobram na agonia.

O nome se faz carne de repente e mostra-me agora, rediviva, a força que tivera de perder-se no silêncio que antes me trazia.

Viveu em mim, tanto e potente, a carga do dizer que desfazia a velha lembrança embaraçada do sabor do amor intenso que irradia.

Sentados frente à frente na mansarda, de olhos pensos e nomes divididos. A Máquina do Mundo fez-se de repente e o mundo grande se mostrou possível.

Por ela aberta no momento da advinha, o nome da mulher que em mim vivia amou-me em intensa liberdade.

Mostrou o nome claro, de repente, aberto como gota de alegria e fez sair do tempo intermitente a graça que em mim já fez-se fria.

Ali, vi retorcido um outro rosto de alguém que nada respondia. Responde à imensidão da claridade o amor que tinha e que a custo silencia.

Inverso o lado do espelho a Terra toda, flutuando e se movendo, pequenina. Mostra no desvelo a quarta etapa do que nunca falou em qualquer língua.

O amor então presente aberto em mágoa pesa o nome à flor que o vertia. É sempre agora o silêncio desta raiva que o não-dito no tempo aparecia.

Ante à Máquina feroz que acelerava toda a pele e todo amor que outrora ouvira, fez-se a mulher do outrora regressada, presente no meu canto mais que viva.

É cor de força densa, contemplada, e chama-me ao nome deste dia. Refaz o abril inteiro de repente, que ao silêncio de nós dois correspodia.

Amor de verdadeiro e simplesmente que no tempo anterior a minha partida fez-se a abraços soltos na verdade a voz que em mim por tempos se estendia.

Sabia dele o nome e agora entrava no nome em que ela, hoje, densa, habita. É mais o agora intenso da palavra que nada processa em mim: potência fina.

É ela outra vez recolocada na ordem primeira do meu dia. Surge a outra Alice contemplada, densa de potência que tardia

à hora que o tempo então regressa, ao mim de mim que acaba neste prisma. O mundo que o nome convocava, do lado de lá do espelho, respondia. De mão extensa e voz apassentada,

rouca me dizia o que, um dia, o silêncio do abril despedaçara e que em mim reverberou no tom que via.

Não soube dizer nada, de repente, ao nome que formou a tal jornada. Sabia a clara voz que agora vinha, de vida ampla, inteira, carregada,

saltada da palavra que continha o nome que escrevia na alvorada. O amor refez meu tempo e, de repente, trouxe o silêncio que abraçara. Abracei com forte angústia a tal palavra

como o corpo abracei em outra vida. É ela, Alice, inteira, de repente, a recriar-se potente como nada. À enorme realidade que continha, mostra a face de si, plena, em som que espalha.

Perdido plenamente de meu tempo, o amor que em mim agora silencia comunica de forma mais potente o amor de outrora que em hora se perdia.

Refeita Alice toda, de repente, que a Máquina feroz me oferecia, soltei a larga lágrima que, amarga, urgente, reclamou o que a chuva tinha.

Desfez-se Alice em forma de presente, no nome que surgiu no outrora nada. Falou de meu amor, mais que a perfídia, perdendo em mim a ausência de rasgá-la

como carne de papel, som e moinho,
jogada ao vento completa e deformada.

Na Máquina do mundo vi lascívia e medo de seus berros desmontados. Sumiu-se Alice inteira entre as palavras do amor que então cantava na memória.

Não sabia que amores silenciam, de carne que se fazem simplesmente. Não sabia que perdia de repente, na tarde de abril que então, formosa,

a chuva me trouxeste, em outra vida, o abraço que dissolve a cor da hora.

E deu-me Alice o abril com seu presente: suspensa cor que agita o nome em frente. E o nome principia no vermelho com a mão aberta de cor indiferente.

Ali, de ante de mim, com ocaso brilho, que nunca vi em olhares contemplados. Na noite, a cor da aurora se formava e a Máquina do mundo recolhia

Alice que sumia toda e inteira, deixando o nome e o perfume na partida. Sumiu-se tudo de repente e está de volta o branco que em mim, completa cifra,

dá passo incerto no presente da amurada, sem a mão dela, sem seu som, sem seus delírios.

O amor me abraça inteiro de repente, e parto com o nome que esvazia, para caminho torto e diferente, sem mais abril, com a marca do presente.

2 comentários:

  1. a quarta etapa? nem tudo se dissolve.
    silencia. urge, grita.
    e somente silencia.

    ResponderExcluir
  2. Ah que esses ventos de verão deixam a gente "comovido pra diabo". Deve ser a proximidade dos trinta anos rsrs, acaba resultando nisso, nessa "joãocabralidade" severina, toante, e muito boa de se ler. Evoé, irmão.

    ResponderExcluir