sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Na política, parte II


Continuando a pausa feita na produção de literatura comum ao Desde que o samba é samba e voltando mais uma vez às reflexões sobre o período eleitoral, o que mais tem me incomodado nos últimos dias, tanto na mídia golpista quanto nas discussões mais informais com amigos, é a de que as pessoas polarizaram a discussão política entre votar em Serra ou em Dilma.

Claro que tal disputa não está desligada de um ranço que o brasileiro tem de encarnar na figura de um único sujeito toda uma idéia de política. Ninguém discute as vantagens e as desvantagens de se votar no PT ou no PSDB. A miltância tucana ataca a figura pessoal de Dilma, chegando ao ponto de divulgar um vídeo no Youtube dizendo que "Lula segurou o PT"e tenta implementar o medo perguntando se ela segurará, como se Lula também não fosse PT. Em contrapartida, essa mesma militância esconde a figura de FHC como se FHC também não fosse PSDB.

Nessa corrida por votos, o eleitor acaba sendo iludido pelas mentiras escabrosas da mídia golpista e se esquece de pensar que quem efetivamente governará o país é o partido que levar as eleições. A figura do líder é importante, sem dúvida, mas mais importante é a quantidade de membros que o partido que governará tem nas cadeiras do Senado e na Câmara. Fato é que o PT e a base governista, no primeiro turno, conseguiram maioria em ambas as casas.

Outro problema que não vejo discussão sobre é com relação ao sistema de eleições que herdamos do governo bipartidarista de fachada dos militares. Não faz sentido em uma estrutura eleitoral pluripartidária um segundo turno entre A ou B. As eleições então se tornam uma corrida para um plebiscito e, no fim, somos obrigados a ver a corrida desesperada das legendas pelos votos da terceira opção. As candidaturas já partem da seguinte premissa: se não levarmos no primeiro, empurramos a briga para o segundo turno em que pegaremos mais um conjunto de votos dos pequenos partidos ou das legendas que ocuparam as terceira e quarta posição.

Acredito que falta no brasileiro uma discussão mais profunda sobre o sistema eleitoral. Foram escolhidos somente dois candidatos entre os 9 presidenciáveis. Por que não podemos ter, uma vez que são tantos os concorrentes ao pleito, 3 candidatos no segundo turno? Isso forçaria necessariamente um debate mais aprofundado no primeiro turno, as coligações teriam que se voltar mais para quais opções podem ser apresentadas e não teríamos, no segundo turno, um plebiscito.

Outro ponto importante é que os atuais candidatos não estão disputando um pleito de 4 anos. Desde que os tucanos conseguiram aprovar a reeleição, todos querem um pleito de 8 anos. É ingenuidade pensar que quem assumir a presidência - seja o PT seja o PSDB - vai governar o primeiro mandato não visando uma política, ao findar deste, em que o discurso seja o da efetivação daquilo que o candidato só começou e que ele precisa continuar, como foi nos últimos 16 anos. Cristóvão Buarque, em entrevista antes da eleição de Lula para o segundo mandato, disse que a reeleição é só uma oportunidade de o/a presidente fazer quatro anos de campanha paga com o dinheiro do Estado, mesmo que essa campanha melhore a situação do país.

Nesse sentido, porque não discutirmos a ampliação do pleito para seis anos, sem direito a reeleição? Assim, além de um processo eleitoral que não nos levaria a um plebiscito - no segundo turno entre três candidatos -, o candidato realmente terá tempo para pôr em prática suas metas de campanha e então encaminhar seu substituto, seja pelo seu partido ou pela coligação que fizer.

Assim efetivaríamos a democracia pluripartidária de que tanto nos orgulhamos e mataríamos de vez esse esquema que a ditadura nos deixou, que faz com que sempre nos voltemos por uma disputa bipolar, entre o sujeito A e o sujeito B. É preciso colocar de novo em cena, também, os partidos, suas idéias e suas propostas e esquecer que o voto não será no indivíduo. Se assim fosse, o número dos candidatos deveria ser o seu número de suas carteiras de identidade, e não o número de uma legenda.

Enquanto isso não acontece, neste plebiscito, como disse em post anterior, fico com o PT e seus próximos 4 anos de governo.

Um comentário:

  1. Caro irmão, bem vindo a essa luta que não é só sua. Vamos esperar que o Brasil não se permita o retrocesso de um elitismo vazio, separatista, facistóide. Abraço

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