terça-feira, 6 de julho de 2010

o atropelo

A cidade é um atropelo. Na esquina, nos ônibus, no mar. Um constante e inquieto atropelo, arrebentando as pessoas como relógios.

Na cidade, nada cabe. Não cabe o espaço, não cabe o tempo, não cabem as cores. Não cabe a dor, na cidade. Cabe o atropelo e acabamos confundindo dor, espaço e tempo, achando serem essas as imanências, com o que na verdade são os destroços do atropelo.

Somos, na cidade, aos destroços. Reunidos, os nossos destroços com os dos outros formam os mosaicos que são os rostos que perambulam apertados na cidade. Comprimidos entre prédio e prédio, o mosaico-homem é repartido no atropelo-cidade, se perde por completo naquilo que acreditou ser formoso e completo como um móvel sem detalhes, liso como a superfície brilhante de um objeto. Somos, na cidade, às sobras. Tão iguais: sobras.

4 comentários:

  1. Amigo,
    somos sobras que vamos tentando achar e juntar...

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  2. O legal é te imaginar falando isso na mesa de um buteco.
    QQVSF

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  3. E esse mosaico que somos é aquilo que vivemos...

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  4. Apesar de sermos sobras e tentarmos encontrar sobras, encontrar com os amigos é bom , muito bom, faz tudo valer a pena!

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