terça-feira, 2 de março de 2010

para a mulher-destino

Acordei, depois de um sonho-cor-catavento cheio de nostalgias. Na verdade, cheios de falsas imagens, cheias de um vapor de amor.

Um vapor maior que o vapor comum, como quem é levado pelo sono às tortuosas curvas do passado que não aconteceu. Hoje, o passado, em pesados cabelos escuros e em sorrisos maiores que a eternidade, perfumaram-me com a voz e o gosto nítido do beijo, que tantas vezes em sono é de difícil distinção.

Carregado dessa nostalgia, desses olhos castanhos e cabelos pesados, pareci uma criança em manhã de festa. Mas no meio da madrugada, aos delírios, saí do catavento colorido-cor para abraçar na noite o corpo de vapor do meu baile de máscaras. O sempre estranho retorno do vapor na ante-sala madrugada.

Rimos muito, emparelhados pelas colunas do labirinto, e a alegria, cheia do cheiro do sol, carregava líquida a luz da alvorada que saía daquele imenso sorriso, cheio de abraços e de olhos apertados, que minha memória, a que sempre surge depois do instante, faz prolongar jogando com força a verdade crua na ausência.

Como carne que reclama a perna abandonada, o pedaço de mim amarrado em estreitos nós neste sonho reclamou minha atenção e me trouxe o velho sabor do vinho, da cor-roxa que esquenta a alma.


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