sábado, 27 de março de 2010

azul-metileno

A casta cega inaudita: ânsia. Como cores de arroz. Em festa, a saliva sobra desvairada no gosto constante, entediada de esperar sempre o vento-não. No vendaval, em misturas inefáveis de passos de dança, a figura, a velha figura, bóia sozinha sobre o metileno, rindo desesperada da situação. Na palma da mão, os riscos de saudade que acalmam e tampam o sorriso.

Saindo de tudo, da casta ânsia, é possível observar com cuidado as formas de todas as coisas, suas densidades. É possível ter-lhes a textura, tecitura, tecendo, palmilhado a história e a superfície. No contato, o ser observa o movimento vermelho da saia colorida, o azul-fumaça do automóvel, o mundo dodecafônico dos ambulantes e das crianças.

Sobe, da praça, o hélio em cor-de-alegria! Em contraste ao metileno e ao cobalto, às seis da tarde, em que um forte roxo avança por entre sobre umbrais e olhos, vê o ser a completude de tudo: o ápice a que um dia deram o nome liberdade.

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