terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Para a foto.

A beleza-passado aparece em sobrancelhas levantadas de passos de dança, no corpo que cheira a sândalo, incenso e cores.

Nas perdidas paredes, grossas dessas umidades fartas, a leveza indomada do passado, suspenso nas sobrancelhas, traz um tom de castanho, a cor-vertigem das rugas do arqueado da testa, olhos que vêem de esguia a capacidade compacta do que negou-se em ter.

É estranho como o passado, nos seus tons-toques de adamascado sabor, fazem rodopiar sobre-sob as prórpias cores. Um conjunto imutável de sensações que, suspensas no todo-sobrancelha chocam como ossos que se partem, como caixas vazias.

O bailado das sobrancelhas faz surgir o perfume do sândalo, cor de damasco, que a mulher carrega na ponta de seus dedos, em mãos rabiscadas-cheias de incensos.

Na dobra-sentido do toque, a noite cobre como um soco e um travesseiro: sufocante travesseiro que teve insônia, marrom-café sem soluços.

O que sobra é sândalo-sandalha, saudade que se espalha como incenso para as sobrancelhas.

2 comentários:

  1. Professor,

    Muito saborosa a poesia presente nesta prosa, principalmente porque os novos nomes compostos provocaram sentidos inesperados, juntando-se à sensação de perfume que vagueia por todo o texto.

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  2. Obrigado, Eduardo. Tenho me empenhado nisso, em novas formas de compor sensações. É um trabalho que venho desempenhando há tempos e que mostrarei sempre que der aqui no blog.
    Espero que continue acompanhando.

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