segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

o mundo-cor sobre a agonia

É sempre preciso descarnar a cor. A cor-amêndoa do passado, em meio a neblina quase branca da presença. A cor-voz do aveludado verde-creme, como pistache em estado frio. A cor-azeite-cabelo da cor-forma-derretida, como os sabores das cores do tempo.

É nessa lógica imaginária, como num caleidoscópio, que a palavra-carne se faz palavra-carne-silêncio. No silêncio incomunicável da verve, da voz no escuro, é que a alegria, em tons-sóis-carminizantes surge na rouca-esquerda-voz de detrás do espelho. A forma nova, repetida, como um holograma, é mágica em palavras desmedidas, em formas e sabores do cortar o pão pela manhã.

Perseguida eternamente pelo perfume, pelo tom, pelo toque, a cor-amêndoa do tempo retorce as formas e traz, no incapturável momento eternizado, o ver-melho-mesa, o ver-melhor de uma segunda-feira. No segundo, a mão é o toque no passado, no vapor que é mais carne que a carne, no ser que é mais que o ser. O novo silêncio recheado de palavras traz os olhares, novos e velhos, no amêndoa. O amêndoa da neblina, da penumbra, da voz que ecoa na noite.

Num átimo de serpente, em que o s é mais que s, é mais que a forma, habito a agonia do não-tempo da palavra reservada para mais. A palavra perdida na cor-tempo, infinito como a consciência aberta ao toque, ao requinte, ao esquerdo formato do sorriso ao recuar do corpo involuntário.

Juntos, formas e formas são mais a nostalgia agônica, mas de uma agonia boa, nova, mergulhada como o aroma no café. Mergulhada na vertigem das cores no sobretom-cinza quase ao toque. Tantas condições divididas, sem o abraço-cor-saudade.

No conjunto, a Liz se recria, como nos versos, no constante-contante tchau, e sobra o farto sorriso, o da saudade que sempre se renova no até, no além, no aquém-cais.

2 comentários:

  1. Depois do Bandeira na minha lista tem outro nome antes do Drummond...abraço cara

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  2. Valeu pela consideração, Glauber! Mas esse lugar aí não é muita coisa pra um simples cara como eu?

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